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A história do Acordeão

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    Por volta de 2.700 a.C., na China, era criado o Sheng (schonofouye , hounofouye, tcheng, cheng, khen, tam kim, yu, tchao e ho, dependendo da região), instrumento que seria "aperfeiçoado" mais tarde, passando por várias transformações até chegar à forma do acordeão como o conhecemos atualmente.
Hoje o acordeão é composto por duas caixas de ressonância feitas de madeira (onde são instaladas as teclas ou botões), um fole e um diapasão (palhetas livres).

Originalmente, o Sheng sugeria a forma de uma ave Fênix (considerada sagrada pelos chineses), formado por um recipiente de ar (com aparência de um bule de chá), um canudo de sopro (com a forma do pescoço de um cisne) e tubos de bambu.

Em 1780, ao chegar da China para a Rússia, o Sheng inspirou a criação do Harmônio, um órgão com aparência de piano, pelo dinamarquês Christian Gottlieb Kratzenstein que usava lâminas de metal, chamadas palhetas livres, no interior de seus tubos por onde o ar passava para gerar o som. É importante entender como o harmônio foi criado, pois, provavelmente, teve muita influência na transformação para acordeão, anos mais tarde: 
Para gerar o "sopro", o primeiro harmônio utilizava dois "foles" movidos à pedais, inspirado, talvez, no mesmo princípio usado nas "gaitas de fole" ou "Bagpipes"escocesas (instrumento originário dos povos Celtas, entre os Séc. II e III a.C.).
 Entretanto, os pedais usavam foles muito parecidos com os atiçadores de brasas usados por ferreiros em suas forjas, chamados de "fole de forja" (Séc. VIII).

À partir da Rússia, o instrumento foi levado à Europa, em 1822, inicialmente à Alemanha, onde o relojoeiro e fabricante de instrumentos, Christien Friederich Ludwig Buschmann, teve a ideia de reunir várias lâminas afinadas e fixadas numa placa formando uma escala para produzir os sons através do sopro, usando o princípio das "palhetas livres", que possibilitou a invenção da primeira gaita de boca. É interessante saber que este invento foi considerado um brinquedo de criança e não recebeu atenção até 1857 quando outro relojoeiro alemão, chamado Mathias Hohner, começou a fabricar as chamadas harpas de boca ou órgãos de boca, com 10 furos, que rapidamente fizeram sucesso e se espalharam pela Alemanha, Itália, França, Estados Unidos. Buschmann, por sua vez, transformou esta pequena placa num instrumento musical, tocado com as duas mãos, ao qual deu o nome de handaolina ou harmônica de mão.


     Na Áustria, em 1829, Cirilo Demian acrescentou um fole e vários botões que permitiam a obtenção dos acordes, daí o nome acordeão. Este instrumento rudimentar foi aperfeiçoado pelo francês C. Bufett em 1837.
     O acordeão nunca mais parou de sofrer transformações e, até os dias atuais, são fabricados em grande variedade de tamanhos, formatos, materiais, ornamentos, funcionalidades, tecnologias, com opções de 8 a 140 baixos (botões que determinam o acorde musical).
Acordeão no Brasil: sanfona no Nordeste, gaita no Sul. 

     No Brasil, o acordeão chegou entre os anos de 1837 e 1851, trazido por imigrantes alemães e italianos, chamado de concertina (um acordeão cromático com 120 baixos). Rapidamente foi incorporado à cultura musical brasileira, com maior ênfase nas regiões Centro-Oeste, Nordeste (onde é chamado de sanfona) e Sul (onde é chamado de gaita).


À partir de 1875, o acordeão já era fabricado no Brasil, principalmente por italianos que já prosperavam no Sul do país, como Túlio Veronese e o casal Cesare Arpini e Maria Savoia.

    Em 1923, o imigrante alemão Alfred Hering cria as “Gaitas Hering” em Blumenau/SC que, aos poucos, além de gaitas de boca, passa a produzir diversos tipos de acordeons, entre os quais as sanfonas de 8 baixos que seriam muito difundidas em todo o Brasil. Em 1960, com o falecimento de seu fundador, a Hering é comprada pela companhia alemã Hohner. 

    Em 1939 surge, em Bento Gonçalves, a Todeschini & Cia. Em 1947, com a ampliação de seu pátio industrial, a empresa é rebatizada como Acordeões Todeschini.


O nome sanfona, usado principalmente no Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, foi dado após a Guerra do Paraguai (1864-1870), embora o termo designe um instrumento de cordas muito tensas, muito similar à rabeca, uma espécie rudimentar de violino.
No Sul o termo gaita é usado desde sua chegada, apesar de normalmente designar a gaita de boca (harmônica) e a gaita de fole ("Bagpipes" escocesas).
 A Sanfona na música sertaneja 
    A história da música sertaneja se mistura com a história da sanfona no Brasil.

    No Século XIX, bem antes do aparecimento das gravações em discos, a música sertaneja ou caipira, assim como as músicas gaúchas, já eram tocadas em bailes e apresentações em circos (espetáculos itinerantes).

    Até a chegada do acordeão, os grupos musicais usavam violas, violões, instrumentos de percussão e rabecas.

    A introdução da sanfona foi muito fácil e prontamente aceita, pois com ela, o som podia ser ouvido por um número maior de pessoas, devido à sua potência sonora, muito maior que os instrumentos de corda. Devemos lembrar que, até então, não existiam os potentes equipamentos de som que são utilizados em shows nos dias atuais.

    Não se sabe, ao certo, uma data específica para o início do uso da sanfona na música sertaneja. Acredita-se que isto aconteceu quase que imediatamente à sua chegada ao Brasil.

Pode-se dizer que, a sanfona está presente na música do Brasil inteiro, em quase todos os ritmos, culturas, tradições, e em todas as regiões, até hoje e, por que não dizer, ainda mais atualmente.
Etmologia:
      "Acordeão" e a corruptela acordeom vêm do alemão akkordium, pelo francês accordéon.
    
     "Sanfona" vem do grego symphonía, pelo latim symphonia e pelo latim vulgar sumphonia.

Acordeonistas (Sanfoneiros e gaiteiros) Famosos 


     É impossível, por questão de espaço, listar os nomes de todos os acordeonistas, por isso, queremos homenagear a todos, citando os nomes de alguns dos mais famosos, em todos os tempos:

     Adelaide Chiozzo, Adelar Bertussi, Albino Manique, Amazan, Ângelo Reale, Arlindo Bettio, Caçulinha, Chico Chagas, Clovis Pontes, Dominguinhos, Dorgival Dantas, Edson Dutra, Hermeto Pascoal, Honeyde Bertussi, Luciano Maia, Luís Carlos Borges, Luiz Gonzaga, Mangabinha, Mano Lima, Marcelo Caldi, Mario Zan, Mary Terezinha, Oswaldinho do Acordeon, Pedro Raymundo, Porca Véia, Renato Borghetti, Robertinho do Acordeon, Sivuca, Tio Bilia, Toninho Ferragutti, Voninho, Waldonys, Zé Bettio, Zé Calixto...

     Além dos sanfoneiros que se são parte de grupos sertanejos como, Zezinha (tocava com Luizinho e Limeira) e Zé do Fole (empunhava a sanfona ao lado de Zé Fortuna e Pitangueira), também há aqueles que não ficam sob os holofotes e só acompanham os artistas mais famosos, como é o caso de Pinochio ( participou da carreira de Tonico e Tinoco, Matogrosso & Mathias e outros grupos sertanejos), Marcelo Dias (filho de Voninho e sanfoneiro de Chitãozinho & Xororó por seis anos), substituído por Vicente Castilho (com um estilo latino de tocar a sanfona), Agostinho do Acordeon (tocou com Edson & Hudson e Guilherme & Santiago) e Xodozinho (que toca para Gino & Geno), 
um sanfoneiro de muito carisma, possui ótima presença de palco e é muito querido pelo público.

     Entre os acordeonistas estrangeiros, podemos destacar: Astor Piazzolla (Argentina), José Ferreiro (Portugal), Jean Michel Jarre (França), Leonardo "Flaco" Jiménez (EUA), Javier Letxet (Espanha), Mirco Pattarini (Itália)...

Fonte: http://radioranchodatraira.com.br

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