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Um amor que vence o preconceito

By 18:20

“O Leônidas, com quem sou casada, orava há 16 anos para encontrar a esposa. Por ocupar o cargo de pastor, ele era muito cobrado por todos a respeito do casamento. Enquanto ele pedia a Deus para encontrar a mulher certa, eu estava no “mundo” vivendo muitos relacionamentos vazios. Tive um namoro longo por sete anos com um rapaz. Decidi terminar por que percebi que não gostava o suficiente dele. Mas, quando terminei, descobri que ele me traía com outra mulher há dois anos.
A notícia me trouxe uma revolta muito grande e passei a acreditar que nenhum homem prestava. Desse momento em diante, decidi “cair na gandaia”. Durante seis meses passei por cima dos meus princípios, porque queria usar os homens, mal sabia que, na verdade, eu é que estava sendo usada. Esse período foi suficiente para bater uma tristeza e uma angústia muito grande. Deus me mostrou que eu estava querendo curar uma ferida de uma maneira que não fui ensinada a viver.
Ao longo desse processo, fui muito machucada. Um dia estava chorando dentro de casa e pensei: “Tenho tudo para ser feliz, mas não sou”. Tinha acabado de entrar na faculdade que eu sonhava, tinha um bom emprego, uma boa família e questionei a Deus o porquê daquela tristeza. Então, Deus me respondeu que eu precisava cuidar da minha alma, porque eu era muito superficial. Já havia ouvido falar da Lagoinha, mas era muito resistente aos crentes. A minha família era toda católica, e nunca tinha ido em uma igreja evangélica.
Entretanto, certo dia fui sozinha à Lagoinha. Era sexta-feira, culto da pastora Alaéucia. No primeiro dia não gostei muito. Mesmo assim, decidi retornar no domingo, ao culto do pastor Márcio Valadão. Enquanto ouvia ele falar, algo acontecia dentro de mim e, no momento em que ele fez o apelo, senti que Jesus passou a morar em mim, mas não tive coragem de levantar as mãos e ir à frente aceitar Jesus. Cheguei em casa e queria contar a novidade a todos. Chorava muito e minha família pensou que haviam feito uma lavagem cerebral em minha cabeça. Mas sentia uma paz muito grande e sabia que algo diferente estava acontecendo. Então, minha mãe também quis conhecer a igreja e voltamos no mesmo dia para o culto das 18h.
Minha mãe ficou encantada e ficou em paz para me deixar participar das atividades da igreja. Na segunda-feira voltei à Lagoinha, à época estava acontecendo o Confrajovem, e ali aceitei o apelo de entregar minha vida a Cristo. Na época, o Léo era um dos líderes da Mocidade e ele viu esse momento de conversão na minha vida. Ele lembra até da roupa que eu vestia (risos). Isso aconteceu na segunda. No sábado já estava fazendo minha primeira lição de batismo e no domingo minha primeira lição para ir ao Encontro com Deus. Minha primeira lição de batismo foi o Léo que ministrou. Ele pediu a todos que anotassem o nome e número de telefone, e marcou o meu número.
Como pastor, ele começou a me acompanhar, me ligava várias vezes e, por isso, pensava que estava interessado em mim, mas não conseguia enxergá-lo como uma pessoa que poderia estar comigo, até por que eu só queria Jesus e estava cansada de homens. Comecei a me envolver, ir aos cultos e às células, mas ele não falava nada sobre relacionamento. Até que um dia, caminhando como amigos, ele me perguntou se eu queria fazer a corte (relacionamento sem beijo na boca). Fiquei muito nervosa com a pergunta dele, e respondi que, primeiramente, precisa conversar com a minha mãe. Note bem, jamais havia agido assim enquanto estava fora dos caminhos do Senhor, em relação a ter permissão da minha mãe para namorar (risos).
O início de uma história de amor

Aos três meses de convertida começamos a orar para ter uma resposta de Deus para as nossas vidas, porém, eu enxergava uma distância muito grande entre a gente, pois era recém-convertida e ele um homem de Deus. Eu o admirava muito, mas não o via como um homem para me relacionar. Pedia a Deus uma pessoa que tivesse visão e propósitos semelhantes ao meu.
Pois bem, fui falar para minha mãe sobre o pedido do Léo, ela já o conhecia como meu pastor, e me respondeu: “Não, porque ele é mais velho e negro!” Achei muito estranho, pois minha mãe ainda não tinha agido assim. Em lágrimas, contei toda a verdade para ele, porque sabia que não podia me relacionar se não tivesse autorização dos pais. Fiquei impressionada como ele agiu de forma tranquila. O Léo me entregou uma palavra em Provérbios: “O coração do rei é como manancial e Ele inclina aonde quer”, e me disse assim: “Se o nosso relacionamento for de Deus, Ele vai mudar o coração da sua mãe, mas se não for, Ele mudará o nosso”.
Então, resolvemos fazer um voto, não era para mover o coração de Deus, mas para entendermos o que Ele queria a respeito das nossas vidas. As pessoas que não eram evangélicas o viam como um aproveitador, porque eu tinha 21 anos e ele 39. Já as pessoas da igreja me julgavam como uma mulher que pudesse afastá-lo dos caminhos do Senhor. Diziam isso mesmo sem estarmos namorando.

Sofremos muitos preconceitos, mas isso não nos abalou, pois estávamos totalmente focados no que Deus tinha para as nossas vidas. Resolvemos estabelecer um prazo para o nosso propósito, definimos que seria até a virada do ano, no culto de virada de ano que a Lagoinha realiza. E faltando 15 minutos para a meia-noite, uma pessoa foi falar comigo. Ela olhou para mim e disse: “Eu pedi confirmação 15 vezes a Deus sobre o que tenho a dizer a respeito dessa pessoa que está ao seu lado, e Ele me disse que se agrada de vocês”. Nós (Léo e eu) não a conhecíamos e ela se virou na multidão e sumiu. Na virada, liguei para minha mãe, e muito docilmente ela disse que queria conversar comigo. Depois me pediu o telefone do Léo e enviou uma mensagem para ele pedindo perdão. Ao final, pediu que o Léo fosse lá em casa, até então ele estava proibido de ir até lá.
Quando ela o viu entrar na sala da minha casa, chorou intensamente e o abraçou pedindo perdão. Tudo que ela falou com ele, era o que eu orava em secreto a Deus. Queria que ela visse ele não apenas como meu marido, mas como um filho, e ela disse exatamente essas palavras: “Você é como um filho para mim”. Assentamos e ele disse que se casaria comigo, e para minha surpresa minha mãe autorizou e ainda brincou que seria bom “desencalhar” a filha.
Começamos a fazer corte, e apesar de ter tido relacionamentos fora dos princípios bíblicos, percebi que era uma nova criatura e havia recebido de Deus uma nova vida; portanto, poderia renovar minha santidade em Deus. Compartilhei com o Léo e tomamos a decisão de dar o nosso primeiro beijo no altar. Foi uma aliança entre nós. Não tive problemas com os desejos sexuais, pois não estimulávamos um ao outro. Investíamos o nosso tempo conversando e nos conhecendo. Eu não ficava tocando o Léo, não usava roupas sensuais, e agia da mesma maneira. Sabia que isso agradava a Deus e eu não queria desagradar o Espírito Santo.

O nosso relacionamento e as nossas vidas trouxeram cura ao coração da minha mãe. Depois descobri que ela havia tratado o Léo daquele jeito por que guardava uma mágoa da juventude, quando ela era apaixonada por um negro e meu avô a proibiu de namorar. Hoje, ela e toda a minha família são apaixonados com o meu esposo. Eu tive a bênção dos meus pais e pude me casar em santidade.
Somos casados há 13 anos e durante todo esse tempo já passamos por muitas situações. Pessoas já falaram que eu era muita “areia para o caminhãozinho dele” ou, então, que ele teve muita sorte de me ter como esposa. Mas quando ouço isso, pergunto: Por quê? Elas ficam em silêncio, pois não conseguem assumir o próprio preconceito. Eu não tenho que me justificar, porque sou casada com um negro. O Léo tem a identidade dele muito firmada em Deus e nunca se sentiu inferior (e nem deve).

Fonte: Lagoinha.com


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